ARTIGOS

UNIC UNIFEV 2019

OBESIDADE ASSOCIADA A ASMA

Orientadora: Letícia Aparecida Barufi Fernandes
(APRESENTAÇÃO ORAL)

A asma é uma doença que causa hiperresponsividade brônquica e inflamação das vias respiratórias. A síndrome parece resultar de interações complexas entre fatores genéticos, imunológicos e ambientais. Caracterizada por aumento da secreção mucosa, que pode obstruir as vias respiratórias, inflamação e edema, e contração muscular suave que resulta em vias respiratórias mais estreitas.

     Os portadores da asma, possuem a tendência de diminuir a quantidade de atividade física praticada, realizando atividades leves e consumindo mais produtos industrializados, causas que, juntas, podem levar a um aumento de peso.

      A asma e a obesidade são doenças muito prevalentes e consideradas problemas de saúde pública. Evidências de estudos transversais sugerem que indivíduos obesos têm um maior risco de asma e que os asmáticos obesos apresentam sintomas mais graves, maior número de hospitalizações e maior número de visitas a serviços de emergência.

     Em relação ao estado nutricional do indivíduo, alimentos e nutrientes individuais possivelmente desempenham um papel no tratamento da asma. A terapia nutricional deve incluir a avaliação individual dos desencadeadores ambientais e nutricionais, e, se necessário, as estratégias para evitá-los.

     O estudo visa identificar, na literatura nacional e internacional, a correlação entre a obesidade e a asma, utilizando dados embasados no livro de referência internacional na área nutricional: Krause – Alimentos, Nutrição e Dietoterapia, e artigos relacionados especificamente ao tema proposto neste trabalho, obtidos no Jornal Brasileiro de Pneumologia, que destina-se a publicar artigos científicos que contribuam para o crescimento no campo das doenças pulmonares e áreas relacionadas.

     Acredita-se que a desregulação hormonal do tecido adiposo leva ao estado inflamatório sistêmico, alcançando as vias aéreas; existe uma associação entre o baixo nível de leptina como um fator protetor para o desenvolvimento da asma. O aumento da quantidade dessa proteína ocasionaria proliferação de linfócitos T/ Th1 e a produção de citocinas, agravando o processo inflamatório, e a redução das defesas antioxidantes poderia iniciar ou exacerbar o quadro de asma. Sabe-se também, que a obesidade altera o volume pulmonar, a capacidade e o diâmetro periférico respiratório, alterando o volume sanguíneo circulante e a perfusão de ventilação pulmonar, isso causaria diminuição da musculatura lisa, hiperreatividade e obstrução das vias aéreas, o que levaria a uma piora no quadro da asma.

     Na terapia nutricional, há alguns alimentos – como as nozes e peixes – e nutrientes individuais que possivelmente desempenham um papel no tratamento da doença.

     Conclui-se que pacientes asmáticos com obesidade têm pior controle da asma e pior qualidade de vida; precisam de doses mais altas de corticosteroide inalatórios; e apresentam redução de alguns parâmetros de função pulmonar, como a Capacidade Vital Forçada (CVF). Além disso, encontra-se proporção menor de pacientes eosinofílicos e menor frequência de atopia entre asmáticos obesos. Portanto, se faz necessária uma dieta com alimentos saudáveis que forneçam uma quantidade ideal de energia e nutrientes; equilibrados; correção do déficit ou excesso de energia e nutrientes diagnosticados; acompanhamento frequente para manter um estado pulmonar saudável; e educação do paciente, da família e da comunidade.

PALAVRAS CHAVE
NUTRIÇÃO. ASMA. OBESIDADE.

REFERÊNCIAS
JBP. XI Congresso Brasileiro de Asma VII Congressos Brasileiros de DPOC e Tabagismo Pneumoceará 2017. J Bras Pneumol. V.43. Suplemento.1R. R7-R114, 2017.

KATHLEEN MAHAN. L. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.

PELEGRINO N.R. et al. Relação entre o índice de massa corporal e a gravidade da asma em adultos. J Bras Pneumol. Botucatu, v.33. n. p641-646, 2007.

VIANA DE JESUS, J.P. et al. Obesidade e asma: caracterização clínica e laboratorial de uma associação frequente. J Bras Pneumol. Salvador, v.44, n.3, p207-212, 2018.  

ANÁLISE DOS PADRÕES ALIMENTARES DE PRATICANTES DE CROSSFIT
DE UMA CIDADE DO INTERIOR DE SÃO PAULO

Orientadora: Letícia Aparecida Barufi Fernandes

O CrossFit é um programa de força e condicionamento físico criado em 1995 pelo treinador Greg Glassman, em Santa Cruz, Califórnia, nos Estados Unidos. O programa foi projetado para se obter uma ampla resposta adaptativa possível. O CrossFit não é um programa de condicionamento físico especializado, mas uma tentativa deliberada de otimizar a competência física em cada um dos dez domínios de condicionamento físico reconhecidos, entre eles apresenta: a resistência cardiovascular e respiratória, a resistência muscular, a força, a flexibilidade, a potência, a velocidade, a coordenação, a agilidade, o equilíbrio e a precisão.

O manejo dietético tem um papel importante para o desempenho e da composição corporal de atletas. A alimentação, quando orientada de forma apropriada, pode reduzir a fadiga muscular e central, permitindo que o atleta treine por mais tempo e se recupere mais rápido do esforço causado pelo treinamento.

Baseando-se no exposto, o objetivo principal desse trabalho é analisar os padrões alimentares de praticantes de CrossFit, em uma cidade no interior do estado de São Paulo. Os objetivos específicos incluem: identificar as principais estratégias nutricionais utilizadas e verificar se há o consumo de suplementos alimentares para melhora da performance.

O trabalho trata-se de um estudo qualitativo, descritivo, realizado com alunos praticantes de CrossFit frequentadores do CrossFit Votuporanga em Votuporanga/SP. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário online, desenvolvido pela plataforma Google Forms e o link para acesso ao questionário foi disponibilizado aos alunos do box via mensagem de texto e divulgado nas redes sociais da instituição.

Dos 50 atletas avaliados, 54% eram do gênero masculino e 46% do gênero feminino, apresentando uma ampla variação de idades sendo em sua maioria da faixa etária de 30 a 39 anos composta por 52% dos indivíduos. Analisando a amostra, 2% apresentaram uma disfunção intestinal, 4% alegaram conter alguma doença crônica, 10% disseram ser intolerantes à lactose e 4% eram atletas gestantes.

O tabagismo e o consumo casual de bebidas alcoólicas representaram respectivamente à 12% e 60% dos participantes da pesquisa.

Observou-se que 60% dos entrevistados já realizaram alguma intervenção nutricional e 44% dos alunos fazem o uso de suplementos alimentares, sendo o nutricionista responsável por apenas 40,9% das indicações e orientações. As dietas utilizadas objetivam o emagrecimento rápido e a mudança nos hábitos alimentares, podendo afetar drasticamente o desempenho do aluno.

Dessa forma, fica evidente a importância da atuação do nutricionista na orientação alimentar adequada e aliada aos objetivos do esportista, promovendo saúde e auxiliando no desempenho desse atleta.

PALAVRAS CHAVE
Nutrição. CrossFit. Padrões Alimentares.

REFERÊNCIAS
GLASSMAN, G. Foundations. Abril. 2002. CrossFit Journal.
Disponível em: http://library.crossfit.com/free/pdF/Foundations.pdf. Acesso em: 6 fev. 2020.

LOVATO, G.; VUADEN, F. C. Diferentes formas de suplementação de carboidratos e seus efeitos na performance de um atleta de ciclismo: estudo de caso. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, v.9, n. 52, p. 355-360, 1 set. 2015.

PACHECO, A. Nutrição no CrossFit: características da realidade portuguesa. 2018. Trabalho Final do Mestrado Integrado em Medicina – Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Coimbra/Portugal, 2018.

SANTOS, K. M. DOS; SILVA, E. S. DA; VIANA, S. D. L. Perfil socioeconômico, dietas adotadas e motivações de frequentadores de uma academia em Itapecerica da Serra-SP. RBNE – Revista Brasileirade Nutrição Esportiva, v. 11, n. 68, p. 986-994, 6 fev. 2018.